O Madeira SkyPark iniciou, a 2 de novembro, a fase de construção de um complexo turístico entre o Curral das Freiras e o Jardim da Serra, no concelho de Câmara de Lobos. O projeto representa um investimento privado de 48,5 milhões de euros e tem abertura ao público prevista para 2028.
Desenvolvido no âmbito de uma concessão pública de 50 anos, o empreendimento inclui dois teleféricos, um parque de aventura, um centro de interpretação da natureza, um percurso de zipline e espaços de apoio e comércio.
Um dos principais elementos do projeto é o teleférico entre o Paredão e a Boca da Corrida, com 3.070 metros de extensão e uma altura máxima ao solo de 706 metros. De acordo com a promotora, poderá tornar-se o teleférico com maior altura ao solo do mundo.
O segundo teleférico fará a ligação entre o Curral das Freiras e o Miradouro do Paredão, num percurso de 1.012 metros e um desnível de 789 metros. Ambos os sistemas terão duas cabines com capacidade para 15 passageiros cada. Está ainda previsto um percurso de zipline de 2.300 metros, entre a Boca da Corrida e o Curral das Freiras.
A empresa promotora estima que o complexo receba cerca de 200 mil visitantes por ano e crie 50 postos de trabalho diretos durante a fase de exploração. As projeções apontam também para mais de 400 milhões de euros em receitas públicas ao longo da concessão, incluindo impostos, rendas e uma percentagem das receitas de bilheteira.
«Acreditamos que o projeto terá um impacto positivo nas comunidades do Curral das Freiras e do Jardim da Serra, criando oportunidades para os negócios locais e contribuindo para a fixação e atração de residentes», afirma Nuno Freitas, CEO da Madeira SkyPark.
O início da construção surge após sucessivos adiamentos relacionados com os estudos técnicos, ambientais e procedimentos de licenciamento. Em agosto de 2026, a Câmara Municipal de Câmara de Lobos concedeu um deferimento condicionado ao projeto.
O empreendimento tem sido também alvo de contestação ambiental. Durante a consulta pública realizada entre abril e maio de 2026, organizações ambientalistas manifestaram preocupações com os possíveis efeitos das infraestruturas sobre os ecossistemas de montanha, incluindo espécies protegidas como a freira-da-madeira. Em junho, foi divulgada uma impugnação administrativa apresentada pela Quercus à decisão de conformidade ambiental do projeto de execução.
A promotora assegura que o projeto contempla medidas de mitigação dos impactes ambientais e defende que a utilização de teleféricos permitirá regular o acesso às zonas montanhosas, evitando a construção de novas estradas.
Com abertura prevista para 2028, o Madeira SkyPark pretende alargar a oferta turística no interior da ilha, numa região onde o turismo de natureza assume particular importância para a atividade económica local.